domingo, julho 22, 2012

Mulheres descartáveis

E então... quer dizer que eu estou chegando aos trinta e já sou velha? É isso mesmo? Quer dizer que um homem que fica solteiro aos 30 obviamente não vai querer uma mulher da mesma idade, mas sim uma de pelo menos uns 25? Foi isso mesmo que eu ouvi, produção? As palavras não soaram exatamente como uma novidade, pois sei que vários homens pensam assim. Já ouvi histórias de homens que largaram companheiras de uma vida inteira, após trinta anos de casamento, para viver um romance juvenil.E aí eles renovam suas vidas, começam a dar uma de garotões e suas mulheres são largadas como bagaços de laranja. Usadas e descartadas, trocadas muitas vezes por mulheres que poderiam ser suas filhas. É triste e cruel. E às vezes é inevitável pensar que serei a próxima. Sinceramente, eu acho esses homens tão patéticos! Mas será que é mesmo um mal generalizado? Será que nós, mulheres, somos tão descartáveis assim? Quer dizer que uma mulher solteira com seus trinta e poucos anos, inteligente, bonita, independente, bem resolvida, dificilmente conseguirá alguém para ter um relacionamento sério e quem sabe formar uma família, porque simplesmente já estão meio 'passadas' e são preteridas por menininhas de vinte e poucos? Será que toda nossa liberdade e nossa 'cabeça feita' só serve para eles nos levarem mais rápido pra a cama e nada mais? E será que por isso as mulheres começam a entrar em desespero, perdem o amor próprio, o bom senso e até entram em depressão? Pra onde foi aquele papo de que podemos ser e fazer o que quisermos, porque somos donas do nosso próprio nariz? E também quer dizer que todas nós que dedicamos nossas vidas a alguém, a uma história de amor, corremos o risco de sermos trocadas por uma "novinha" e então cairmos na vala da solidão? Sendo assim, quanto mais tarde isso aconteça pior, porque aí teremos perdido nossa juventude, nossas oportunidades, nossas alternativas... tudo por causa de um "amor". Será que isso é amor? Às vezes tudo parece tão nebuloso... Vejo mulheres  perdendo o juízo e a inteligência por homens o tempo todo. Mas será que eles merecem isso tudo? Onde está a nossa independência? Aquela da qual nos vangloriamos tanto de ter conquistado? Ao que vejo, a dependência emocional continua. E ela é tão cruel quanto a financeira. De que adianta nos sustentarmos com nosso trabalho e continuarmos caindo por causa deles? Será que tudo se resume a ter um homem na cama, uma aliança no dedo e um filho? E os nossos projetos pessoais? E o que vamos fazer se de repente aquele nosso companheiro simplesmente nos virar as costas? E o que vamos fazer se ele nunca nem mesmo aparecer? Vamos perder o prumo, o sentido da vida? Vamos enlouquecer e nos encher de vícios? Vamos cortar os pulsos e desaparecer? Vamos nos tornar aquelas chamadas "mal amadas", amargas e insuportáveis? Vamos esquecer de quem somos? 
Por essas e outras eu realmente admiro as poucas mulheres que conheço que não estão preocupadas em serem a mulher de alguém. Elas se bastam e são felizes assim. Se o amor vier, ótimo... mas esse amor não aprisiona e elas parecem não criar tantas expectativas. Tá bom... talvez essa mulher só exista na minha imaginação. Talvez seja a mulher que eu gostaria de ser. Mas eu realmente admiro essa mulher. 
Por que estou falando tudo isso? Porque eu realmente estou cansada de ver certas histórias se repetindo. Porque eu lamento muito quando vejo o andar da carruagem. Quando vejo como nós nos autoflagelamos. Nós mesmas nos julgamos umas às outras. Nós nos cobramos coisas impossíveis, nós nunca estamos satisfeitas com o que somos. Tantas de nós não suportam nem mesmo sua própria companhia. E isso é triste. É triste como os homens nos selecionam como se estivessem num patamar de superioridade. E cadê a tal da igualdade? No fundo continuamos vivendo num mundo tão machista quanto o de décadas atrás. E é essa hipocrisia da modernidade que me enoja.

PS: desculpem o desabafo, mas é que eu precisava colocar isso pra fora.

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