domingo, abril 03, 2011

Minhas Sinceras Desculpas


Ontem à noite me juntei a centenas de recifenses para assistir à peça do ator Eduardo Sterblitch - Minhas Sinceras Desculpas, no teatro da UFPE. A demanda foi tanta que abriram mais duas sessões. Ao todo foram três: uma às 18h, outras às 21h, outra às 23h, salvo engano. Fiquei com a das 21 h. Confesso que não sou nenhuma grande fã do trabalho dele como Fred Mercury Prateado e nem sei o que faz o Cesar Polvilho. Enfim, não sou de acompanhar o Pânico na TV e nas vezes em que assisto acho o programa muitas vezes de um mau gosto quase intolerável, com raras exceções de alguns quadros que até acho engraçados. Mesmo assim, como meu amor curte o Fred Mercury Prateado e  até faz umas imitações dele...rsrs, nós compramos os ingressos e  acabamos criando bastante expectativa. Até porque, a entrevista do Eduardo no Programa do Jô foi mesmo hilária!
A peça é um monólogo e conta com a participação de uma banda. O ator começa a apresentação com bastante sinceridade, já pedindo desculpas pelo fato de fazer teatro por ser uma necessidade fisiológica, mas não que tenha algo de relevante a dizer ou a acrescentar e que por isso ele contratou uma banda, que irá tocar toda vez que ele começar a falar besteira e, ainda, que no final das contas o público, ao comentar sobre a peça, vai poder dizer que "a banda era foda!". Além disso, ele diz que, por ser um monólogo, a peça não pode durar mais de uma hora e meia, porque senão fica chata, e que, por respeito à plateia, quando der a hora, ele vai parar exatamente onde estiver. No começo tudo parece uma brincadeira, mas no final das contas, é exatamente o que ele faz, ao deixar o público sem entender que final bosta é aquele. A peça termina com a banda tocando e ele aparece correndo apenas para se despedir e agradecer e as cortinas se fecham de repente, sem ele aparecer mas nenhuma vez, nem mesmo para receber os aplausos. Fica todo mundo meio sem entender nada. Mas, afinal, ele já havia pedido desculpas. 
Tudo bem que ele ainda debocha do público ao dizer que não vai dar tempo pra fazer a parte mais engraçada da peça. No final, ninguém sabe se realmente ia ter uma parte mais engraçada ou se ele fala isso só pra ser simpático. rsrs
Na verdade, tudo tem um motivo bem claro. O humor que Eduardo Sterblitch mostra na peça não é daqueles de embolar de rir. Na verdade, em muitos momentos ele é carregado de crítica. E de um sentimento de frustração que parece ser verdadeiro. Como se ele próprio achasse uma merda os personagens que lhe tornaram famoso na televisão. E ainda "tira uma onda" com a cara do público, que pagou pra ver algo parecido. É engraçado como ele parece rir da cara da plateia, que pagou, por baixo, sessenta reais, para ver o ator que se pinta de prateado para fazer aquela vozinha ridícula. Em um determinado momento ele diz: "pra provar que vocês não são burros, ninguém vai rir do que eu vou fazer agora". E então ele fala "boa noite" com a voz do prateado e todos começam a rir. Ou seja: ninguém foi aprovado no teste. rsrs
Eu não sei quanto ao resto do pessoal, mas eu não vejo realmente muita graça em pagar caro para ser chamada de burra. Achei a peça bem fraquinha. Ele pode ser crítico o quanto quiser, mas a verdade é que ninguém pagou para refletir. Todo mundo queria rir e se divertir. É essa a imagem que ele vende, não é verdade? Em matéria de peça de comédia, a dele deixou bastante a desejar.  Não cheguei a achar ruim ao ponto de sair no meio da peça, como algumas pessoas fizeram. Mas me pareceu um grande improviso, às vezes repetitivo. E o final,  então, deixou sim uma péssima impressão. Mas a banda.... ahhhh... a banda era mesmo FODA.

7 comentários:

Micha Descontrolada disse...

putz...tosqueira total!
eu não curto essas stand ups da vida...

Uma ótima semana para você!!!

/(,")\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_................

Cafofo da Fran disse...

Oi Carol
Bom domingão
Bjokas

Teca disse...

Carol, adorei a crítica! Deu pra ter uma ideia legal da peça!
Acho o Eduardo um pouco "estrelinha", embora ele seja um bom comediante.
Vou mostrar sua resenha para o meu namorado...
Bjão

Juliana Fonseca disse...

Eita! Sou recifense tbm e te achei por acaso! Menina, tava curiosa pra ver essa peça justamente pensando que se tratava de uma comedia e tals.. mas bom saber que não é bem assim, ne?
Bjs

Klécia Galvão disse...

Nossa! Estou passada aqui, pois sou louca pra ver um show desse moço, mas pelo que você disse... Vou pensar 2 vezes.

Bjocas e ótima semana!!!
Klécia Galvão
WWW.kleciagalvao.blogspot.com

Simone Simões disse...

Antes de sair de casa para comprar o ingresso e posteriormente para assistir ao espetáculo, era necessário saber primeiramente que estávamos indo assistir a uma peça teatral de um ator e não para ouvir piadas de um humorista do Programa Pânico. É preciso separar as coisas, afinal de contas, o formato de um é completamente diferente do outro. Bem como, passa longe de tentar ser um stand up comedy ou improviso. Com todo respeito, ele usou o teatro para fazer mais do que isso.
Depois, seria preciso atentar para a proposta dele (O ATOR EDUARDO STERBLITCH), a peça é sobre a história de um ator que se considera medíocre, completamente frustrado e entediado em relação a sua vida e carreira. O próprio Eduardo a qualifica como um monólogo cômico. Uma pesquisa rápida na internet para ler a sinopse da peça evitaria frustrações.
Em minha humilde e sincera opinião, o ator Eduardo não enganou ninguém, no início do espetáculo (já incorporando o PERSONAGEM) ele fala que a peça é uma porcaria mesmo e que o público gastou o dinheiro à toa, sugerindo inclusive que deveríamos ter dado o dinheiro do ingresso para um mendigo (já dava para perceber desde então que se tratava de uma interpretação e não da opinião pessoal dele, afinal de contas, ele não gostaria de atuar diante de uma platéia vazia). Explica também que a banda foi a solução encontrada para "TENTAR MELHORAR" a peça e vender ingressos ( e assim continuava com sua interpretação).
Não achei dificuldade em separar o INTÉRPRETE HUMORISTA que faz o Prateado do ATOR interpretando um ator medíocre, frustrado, mal sucedido e entediado com sua vida e carreira, tentando passar o tempo fazendo o que mais gosta: atuar. Eduardo INTERPRETOU um ator que realmente era repetitivo em suas falas, contava piadas idiotas e criticava alguns aspectos da nossa sociedade, ora tomando uma posição, ora outra. Mas tudo aquilo foi INTERPRETAÇÃO.
O que eu vi no Teatro da UFPE, no dia 02 de abril aqui em Recife foi uma grande ATUAÇÃO de um cara de apenas 24 anos muito mais ator do que alguns rostos frequentes do horário nobre global.
Alguns saíram decepcionados sim (ALGUNS e não TODOS). A desilusão dessas pessoas pode ter ocorrido ou porque não entenderam o que foi óbvio demais ou simplesmente porque estavam na expectativa de ver um humorista usando sunga, pintado de prata e falando com a voz fininha. Isso sim seria realmente inapropriado para ele fazer em seu monólogo cômico. Recordo do próprio Eduardo falando que não entendia o motivo de acharmos o Prateado e o Gente Fina tão engraçado porque na opinião dele, eles não tem nada demais para conseguir tantas gargalhadas e fãs, mas mesmo assim, conseguem.
Não dava mesmo para esperar que o Edu passasse uma hora e meia interpretando o Freddie Mercury Prateado ou o Ursinho Gente Fina, afinal, é para isso que serve o Programa Pânico, para ele ser o HUMORISTA. No espetáculo Minhas Sinceras Desculpas ele foi o ATOR, e se ele pretendia dar vida a um ator frustrado, irônico, sarcástico, medíocre e entediado, ELE CONSEGUIU!

Simone Simões disse...

Para facilitar posto a sinopse para que não reste dúvida da proposta apresentada pelo ator.
Com 90m de duração, Minhas Sinceras Desculpas, representa um ator frustrado, tentando corresponder às suas próprias expectativas em um monólogo teatral, prostrado em cena como se iludindo seu próprio tédio, dentro de um teatro, e perante as pessoas que mereciam coisa melhor, pela falta do que se dizer, pela dificuldade de ser original, porém, precisando expor suas tensões.
A ideia é trazer de maneira cômica/sarcástica, assuntos não interessantes em pauta. Não só isso, diferenciar seus trabalhos, provando sua diversidade na dramaturgia. É neste momento que nomes de pesos do cenário musical entram em cena, e provam a essência que compõe “Minhas Sinceras Desculpas”: Marcinho Eiras nas guitarras, Dom Paulinho Lima no vocal, Luiz
Claudio Faria no trompete, Luis Antunes na bateria, João Paulo, o JP no sax, Will no Trombone e Felipe Alves no contra baixo.
Esclarecimento sobre os vídeos que passavam enquanto a banda tocava:
Os vídeos representam, em imagens, o que estaria sendo dito por mim. Esses vídeos são feitos por estudantes de cinema. A ideia é dar espaço para jovens cineastas que talvez/provavelmente também não correspondem com suas próprias vontades. O primeiro monólogo teatral onde a banda se torna mais importante do que o próprio ator”, satiriza Eduardo.